A internet é uma das maiores ferramentas dos tempos modernos. Com ela podemos trabalhar em home office, fazer compras sem sair de casa, assistir a filmes e séries a qualquer hora, entre tantas outras facilidades. No entanto, junto com esses benefícios também surgem riscos — e um deles é o acesso fácil, ilimitado e quase sempre anônimo a conteúdos pornográficos.
No passado, era preciso ir até uma banca de jornal, comprar revistas ou DVDs para ter contato com esse tipo de material. Hoje, basta alguns cliques em um celular dentro do quarto ou até no banheiro para acessar um universo inteiro de pornografia. Essa facilidade pode abrir portas para um consumo exagerado, e em alguns casos, levar ao vício em masturbação.
Recentemente, o influenciador Felca trouxe à tona, em seu vídeo “Adultização”, como é assustadoramente fácil ter contato até mesmo com pornografia infantil em redes sociais como o TikTok — um tema gravíssimo que exige reflexão e responsabilidade. Mas, neste texto, quero me concentrar em outro ponto: como o vício em masturbação pode afetar sua vida cotidiana, suas relações e sua saúde mental.
Talvez você tenha chegado até aqui por estar vivendo isso na própria pele ou porque se preocupa com alguém próximo. Seja qual for o caso, é importante saber: o vício tem tratamento, e buscar ajuda é o primeiro passo.

Quando a masturbação e a pornografia se tornam um problema
A pornografia em si não é necessariamente negativa. Pode, inclusive, ter um papel saudável se utilizado de forma pontual — por exemplo, como estímulo entre um casal. O problema surge quando ela deixa de ser um recurso esporádico e passa a ser usada como fuga da realidade, um mecanismo para lidar com frustrações ou incômodos da vida.
Quando o acesso constante à pornografia se transforma em hábito e leva à masturbação compulsiva, é sinal de alerta. A Organização Mundial da Saúde classifica essa condição no CID-11, sob o código 6C72: Transtorno do Comportamento Sexual Compulsivo. Isso significa que a pessoa não consegue controlar os impulsos, mesmo que queira parar.
Entre os sinais mais comuns estão:
- perda de interesse em relações reais;
- isolamento social;
- sofrimento emocional;
- queda no desempenho pessoal e profissional;
- sentimento de vergonha e fracasso.
Há casos em que o indivíduo sente tanta necessidade de ver pornografia que evita encontros sociais por não conseguir controlar o comportamento sexual ou não consegue se concentrar no trabalho, correndo até o risco de perder o emprego por causa do vício em masturbação.
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Os efeitos na saúde mental e sexual
A sexualidade humana é algo precioso e deve ser vivida de forma plena e saudável. Mas, quando há desequilíbrio, surgem sérios impactos.
Pesquisa do especialista Scanavino mostra que o vício em masturbação está ligado a:
- maior depressão,
- dificuldade de regulação emocional,
- baixa qualidade de vida,
- impulsividade e problemas emocionais.
No aspecto psicológico, a pornografia também distorce a percepção do próprio corpo e da performance sexual. Muitos homens, ao se compararem com atores pornôs — que exibem corpos e desempenhos irreais — passam a se sentir insuficientes, o que afeta autoestima e confiança.

Como disse Freud: “O pênis é o órgão de que o menino se orgulha e cuja perda teme acima de tudo.” O pênis, historicamente, foi visto como símbolo de poder e identidade. Assim, quando um homem acredita não estar “à altura” do que vê nas telas, pode desenvolver vergonha, insegurança e até quadros de depressão, ansiedade e disfunções sexuais, como ejaculação precoce, disfunção erétil ou perda de desejo.
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Por que o vício em masturbação tem causas emocionais
A compulsão sexual pela masturbação e a pela pornografia funciona como uma forma de “alívio emocional” diante da dificuldade de regular as emoções por estresse, frustação, medo, insegurança, solidão, relacionamentos disfuncionais, instabilidade de humor, cobrança excessiva, baixa autoestima e tantos outros motivos não compreendidos.

Lacan já dizia: “É a falta que constitui o sujeito.” A vida é marcada pela incompletude, e aprender a lidar com isso faz parte da jornada. O tratamento psicanalítico pode ajudar justamente nesse ponto: compreender a falta, elaborar, regular as emoções e construir novas formas de lidar com a realidade sem recorrer compulsivamente à masturbação.
Como a terapia pode transformar sua relação com a sexualidade
O tratamento psicoterapêutico é conduzido por psicólogos, profissionais preparados e regulados pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP), que seguem princípios éticos e científicos. A terapia não é um espaço de julgamento, mas de acolhimento e transformação.
Ao longo de mais de 16 anos como psicóloga, pesquisadora e professora, vi como o acompanhamento terapêutico pode ressignificar a relação de uma pessoa com sua sexualidade e até seu vício em masturbação. Em casos de compulsão sexual, a terapia ajuda a identificar gatilhos, entender padrões emocionais e desenvolver estratégias para retomar o controle da vida.
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Busque ajuda sem culpa e retome o controle
Se você sente que já não consegue parar de consumir pornografia ou se percebe que a masturbação ocupa um espaço excessivo na sua vida, este é o momento de refletir.
Você não está sozinho. Esse vício em masturbação é superável, e buscar ajuda é um ato de coragem. A terapia pode ser o caminho para recuperar equilíbrio, autoestima e prazer nas relações.
Entre em contato e vamos conversar. Sou Patrícia, psicóloga e especialista em sexualidade, juntos podemos construir uma vida com mais saúde mental, emocional e sexual.



